terça-feira, 27 de outubro de 2009

bebamos pela vida...


I


É crua a vida. Alça de tripa e metal.
Nela despenco: pedra mórula ferida.
É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.
Como-a no livor da língua
Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me
No estreito-pouco
Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida
Tua unha plúmbea, meu casaco rosso.
E perambulamos de coturno pela rua
Rubras, góticas, altas de corpo e copos.
A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.
E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima
Olho d’água, bebida. A vida é líquida.

(Hilda Hilst, Alcóolicas)

2 comentários:

Cleyton Cabral disse...

Amooo Hilda. Viu a postagem que fiz essa semana? Um e-mail que ela me mandou. Ah, falar em Hilda, quero falar contigo sobre uma prosa dela que quero dizer no palco. abs

Cristhiano Aguiar disse...

é bonito este poema!